Em setembro, a península de Troia voltou a ser o centro do mundo no que toca a sistemas não tripulados. A S4METRO esteve lá, a convite da Marinha Portuguesa, para apoiar a parte operacional do REPMUS 2026 com aquilo que fazemos melhor: digitalização 3D, controlo dimensional e engenharia inversa. O objetivo foi simples de explicar e exigente de cumprir: reduzir ao mínimo o tempo em que os meios militares ficam parados.
O maior exercício do mundo do seu género
O REPMUS (Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems) é organizado pela Marinha Portuguesa e é considerado o maior exercício mundial de experimentação operacional de sistemas não tripulados. Esta 16.ª edição decorreu entre Troia, Sesimbra e a Zona Livre Tecnológica Infante D. Henrique, e juntou:
- 4.445 participantes
- 26 países
- 575 sistemas em teste, de drones aéreos a veículos de superfície e subaquáticos
Mais do que uma demonstração, é um verdadeiro laboratório no mar. Como resumiu o Comandante Caldeira de Carvalho à Euronews: "Nós experimentamos o que ainda não está acabado."
O papel da Digitalização 3D na REPMUS
Num exercício com centenas de sistemas no terreno, cada equipamento parado é uma oportunidade de teste perdida. Quando uma peça se parte, desgasta ou deforma, esperar por um sobressalente pode significar dias ou semanas, sobretudo em equipamentos protótipo ou sem desenhos técnicos disponíveis.
Foi aqui que a nossa equipa entrou, com equipamentos de digitalização 3D portáteis que levamos para onde o problema está:
- Controlo dimensional: digitalizamos a peça e comparamos com o modelo original ou com as tolerâncias previstas. Em poucos minutos percebemos se está dentro do especificado, onde está a deformação e qual a sua dimensão.
- Engenharia inversa: quando não existe modelo 3D ou desenho, capturamos a geometria da peça real e transformamo-la num modelo digital pronto para fabricar uma substituição.
O resultado é uma decisão mais rápida e informada: reparar, ajustar ou refazer. E, acima de tudo, devolver o equipamento à operação o quanto antes.
Digitalização 3D a bordo de um navio
Um dos momentos mais marcantes foi o dia que passámos a bordo de um navio. Em vez de retirar os equipamentos para terra, levámos a tecnologia até eles. Dentro do próprio navio, reparámos duas unidades, que puderam voltar ao serviço sem saírem do local onde operam.
É este o valor da digitalização 3D portátil em contexto operacional: medir e resolver onde o equipamento está, sem transporte, sem esperas e sem interromper a missão mais do que o necessário.
Lado a lado com a Marinha, a academia e a indústria nacional
Em Troia estivemos integrados num ecossistema de parceiros que partilham o mesmo objetivo:
- Célula de Experimentação Operacional de Veículos Não Tripulados (CEOV) da Marinha Portuguesa
- Arsenal do Alfeite, S.A.
- Instituto Superior Técnico
- Almadesign
- IdMind
- Beyond Vision
- Connect Robotics
- Flying Sharks
- Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ)
- OCEANSCAN-MST
- PDMFC
- SENTINEL
- TEKEVER
- UBIWHERE
- X-Spectrum
- 3D Ever
- INEGI
- Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo da PSP (PSP-UEP-CIEXSS)
Foi neste contexto que recebemos a visita do Presidente da República, António José Seguro, que destacou a importância de Portugal desenvolver capacidades tecnológicas próprias. É precisamente isso que esta ligação entre Marinha, academia e indústria nacional está a demonstrar: conhecimento feito em Portugal, com aplicação real e imediata.

O que isto significa para a indústria
O que fizemos no REPMUS não é exclusivo do setor da defesa. A mesma lógica aplica-se a qualquer empresa que dependa de equipamentos para produzir:
- Peças antigas ou sem desenho técnico que precisam de ser substituídas
- Componentes críticos que têm de ser verificados antes de voltar ao serviço
- Paragens de linha em que cada hora conta
Com digitalização 3D e controlo dimensional e engenharia inversa, ajudamos a reduzir o tempo de paragem e a tomar decisões com base em dados, e não em suposições.
Obrigado à Marinha Portuguesa pelo convite e pela confiança. Contamos estar de volta em 2027.
Tem um equipamento parado ou uma peça sem desenho? Fale connosco e vemos juntos a solução mais rápida.



